Os debates e as reconfigurações sobre modelos de gestão do patrimônio cultural, iniciados nos anos de 1960 e com maior destaque nas últimas três décadas, estão vinculados a ideia de direitos culturais (cultura como um direito básico de todos os seres humanos) e ao paradigma de democracia cultural (que vislumbra a participação social de diversos agentes na seleção e gestão do patrimônio cultural). Tais debates também tornaram-se pauta para os museus e os processos de musealização (dentre eles o de documentação). Entretanto, as reconfigurações efetivas que demonstre a aplicação de metodologias ativas de participação social emancipadora no âmbito dos processos e procedimentos de musealização ainda encontram-se em consolidação, tendo ganho maior ênfase no que tange a documentação nos últimos anos. Pautada nessas reflexões, esta pesquisa abordará o tema compartilhamento de saberes acadêmicos, técnicos e populares em processos de musealização de bens culturais associados aos conhecimentos tradicionais. Seu foco analítico são metodologias ativas de participação social emancipadoras em processos de musealização e de documentação de bens musealizados (sejam eles os vestígios de saberes/performances ou as performances em si associados aos conhecimentos tradicionais). Desta forma, seu objetivo central é analisar as metodologias ativas de participação social aplicadas em processos de musealização e de documentação de bens culturais musealizados associados aos conhecimentos tradicionais no Brasil, visando a identificação dos desafios e possibilidades na definição e utilização de metodologias ativas emancipadoras e a elaboração de diretrizes que possibilitem sua estruturação de modo a auxiliar no compartilhamento de saberes entre universidades, museus e detentores de conhecimentos tradicionais populares. Caracteriza-se como pesquisa qualitativa, aplicada, hipotético-dedutiva, exploratória e estudo de multicasos.
Período: 2023 – em andamento.
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